Lei do Combustível do Futuro impulsiona biocombustíveis e abre novas oportunidades para o agro
A implementação da Lei do Combustível do Futuro e os desafios para a transição energética brasileira foram discutidos em seminário realizado pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados sobre Transição Energética e Produção de Hidrogênio Verde.
O encontro reuniu autoridades, representantes do setor produtivo e especialistas para avaliar os avanços regulatórios e as perspectivas para a produção de combustíveis de baixo carbono no país.
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Sancionada como um novo marco regulatório para os biocombustíveis e a descarbonização do setor de transportes, a legislação estabelece medidas voltadas à ampliação do uso de fontes renováveis, como etanol, biodiesel, biogás, biometano, combustível sustentável de aviação (SAF), diesel verde e combustíveis marítimos.
O hidrogênio verde também foi apontado como uma das alternativas para a redução das emissões de carbono e para a expansão da participação brasileira no mercado internacional de energia.
“Avançou com a regulamentação do hidrogênio verde, do combustível sustentável de aviação e do diesel verde, que permitiu esses 180.000 ha que estão sendo adquiridos pela Acelen no sertão da Bahia, no norte de Minas Gerais, em Jequitinhonha e em Mucuri para plantar macaúba, para poder fortalecer o agronegócio, para fortalecer o etanol”, detalha o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.
Agro ganha espaço na produção de energia
Um dos principais pontos destacados no debate foi a integração entre produção agrícola e geração de energia. Com a expansão dos biocombustíveis, o agronegócio passa a ter participação não apenas no fornecimento de alimentos, proteínas, grãos e fibras, mas também na produção de matérias-primas destinadas ao setor energético.
“Estamos falando de uma legislação que incentivou a inovação tecnológica, a pesquisa científica em torno desses temas. Estamos falando de criar uma cadeia de valor e é incrível que o agro aceitou esse desafio. Não só produz alimentos, proteínas, grãos, fibras, mas passa a produzir energia”, explica o deputado federal (Cidadania – SP), Arnaldo Jardim.
O biodiesel, por exemplo, já utiliza cerca de 70% do óleo de soja produzido no país. A ampliação das metas de mistura do biocombustível tende a elevar a demanda pela oleaginosa e, ao mesmo tempo, cria novos desafios para a cadeia, como a necessidade de ampliar a capacidade de armazenamento do farelo resultante do processamento.
Segundo o presidente da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), Amaury Pekelman, a produção de etanol de milho cresceu, nos últimos cinco anos, a uma média de 36% ao ano, com forte concentração dos investimentos nos estados do Centro-Oeste.
A legislação também amplia as possibilidades para as cadeias de cana-de-açúcar e milho, ao estabelecer metas para o etanol e criar mecanismos para o desenvolvimento de combustíveis destinados à aviação.
Biodiesel, diesel verde e SAF
Para representantes do setor de óleos vegetais, a Lei do Combustível do Futuro foi importante por autorizar a ampliação do mandato de biodiesel e criar mercados para novos combustíveis. Entre eles está o combustível sustentável de aviação, que poderá utilizar óleos vegetais, incluindo o óleo de soja, como matéria-prima.
“No nosso setor, a lei foi fundamental porque ela autorizou o aumento do mandato de biodiesel. Ela cria o mercado para o combustível sustentável de aviação, que o óleo de soja vai ser uma das matérias primas. E cria também um mercado chamado diesel verde. O biodiesel e o diesel verde vão substituir o diesel fóssil. E o diesel verde vai ser produzido a partir de óleos vegetais”, explica o presidente executivo da Abiove, André Nassar
A ampliação desses mercados aumenta a demanda por biomassa e cria novas oportunidades para produtores rurais e para as indústrias responsáveis pelo processamento das matérias-primas.
Além da redução das emissões, os biocombustíveis foram apresentados como uma estratégia para ampliar a segurança energética brasileira. A produção doméstica de combustíveis renováveis reduz a exposição do país às oscilações do mercado internacional de petróleo e a possíveis interrupções no fornecimento externo.
Oportunidade
Outro eixo do debate foi o desenvolvimento do hidrogênio verde. A fonte foi incluída entre as alternativas previstas na agenda de transição energética e ganhou regulamentação no âmbito das políticas recentes do governo federal.
Segundo Silveira, o Brasil já possui centenas de projetos de hidrogênio verde em diferentes estágios de desenvolvimento, que representam bilhões de reais em investimentos. A maior concentração está no Nordeste, região considerada estratégica devido ao potencial de geração de energia renovável.
“Eu acredito muito no hidrogênio verde como uma mais uma das fontes importantes, em especial para a exportação de energia no Brasil”, afirma Silveira.
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Matéria produzida com curadoria editorial assistida por IA, a partir de pauta de www.canalrural.com.br.